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𝓔𝓿𝓪 𝓥𝓮𝓲𝓰𝓪𝓼

Arqueóloga da Alma

𝓔𝓿𝓪 𝓥𝓮𝓲𝓰𝓪𝓼

Arqueóloga da Alma

Ma'at

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Goddess Ma'at - a painting by Stephany Mika

 

Destas penas de avestruz da Dupla Verdade, tão delicadas que o mais subtil hálito mental pode agitar, pendem através das correntes  da Causa e do Efeito, os pratos ou esferas onde o Alpha (o primeiro)  e o Ómega (o último) , se equilibram.

Não é possível deixar cair um alfinete sem provocar uma reacção correspondente em cada estrela.

 

A. Crowley, O Livro de Thoth

O Portal

Porta Da Igreja, Castelo, Parafuso, Porta Da Frente

 

O verdadeiro Portal não está fora de nós. Não se encontra no exterior, nem num dia de calendário, nem num ritual mágico. Não é uma crítica, é uma constatação.

 

O verdadeiro Portal está dentro de ti, nasce e renasce contigo de cada vez que sobes um grau na tua consciência. Sempre que ela se expande e abarca mais e mais do Todo. Sempre que ela alberga mais e mais Luz, sempre que ela compreende mais, acolhe mais, entende mais, integra mais até atingir determinado estágio que a prepara para o grau seguinte.

 

Nessa transição se abre o Portal dimensional para cada um de nós em devido tempo e após as devidas provas. Ninguém passa um Portal sem ter passado pelos testes todos. É como na Escola, ninguém entra na Escola Primária e sai no dia seguinte com um Mestrado. É preciso passar por todas as fases. É preciso dar tempo e ir garantido que se integram todas as aprendizagens.

 

Aprende-se algo e depois é praticar, praticar, praticar, errar, começar de novo, praticar, praticar, praticar, errar e recomeçar... Um dia passas no teste! Fantástico!

 

Agora vamos ver se te manténs aí, nesse lugar tão duramente conquistado. E vêm de novo as provas.

 

Quando julgas ter passado no teste e já estás bem seguro que podes estar à vontade nessa matéria, surge de novo a prova, que é geralmente a derradeira prova, aquela que garante que conseguiste integrar totalmente determinada lição/aprendizagem.

Porém, só aqueles que estão MESMO preparados atravessarão esse Portal (e há muitos, muitos mais do que possas imaginar) e seguirão rumo a aprendizagens e provas cada vez mais complexas que os levarão a atravessar outros Portais internos.

 

Ora o que sucede muitas e muitas vezes no momento da derradeira prova? Chumbamos!

Principalmente quando nos encontramos envaidecidos e demasiado autoconfiantes, certos de que estamos muito iluminados e somos muito espirituais para nos misturamos com a “ralé”.

 

Escorrega-se na primeira contrariedade. Quando se vai ver estamos a dar um ou vários passos atrás ou a escorregar pela montanha abaixo, quando já estávamos quase, quase a atingir o cume.

 

Nesse momento dá para conhecer um bom bocado da nossa essência mais profunda – o material de que realmente somos feitos.

 

Muitas pessoas nesse momento tão importante, quando percebem que falharam o teste, identificam-se e colam-se ainda mais aos seus egos inferiores e resmungam dizendo como eram bons, fantásticos, como se dedicaram a fazer isto e aquilo e agora, a vida, ou alguém, pregou-lhes uma partida ou passou-lhes uma rasteira.

 

Só que não! Nem a vida nem ninguém passa rasteiras a ninguém. Somos nós que nos distraímos e nos distanciamos de nós, somos nós que perdemos o centro constantemente por colocarmos o foco fora de nós, por querermos salvar o outro, por queremos redesenhá-lo à nossa imagem e semelhança – como se nós fôssemos perfeitos e infalíveis -, por querermos reconfigurar o outro, porque entramos no “achismo” e cremos veementemente que temos a solução mágica para o outro e não entendemos porque é que ele pensa, fala ou age de determinada maneira. Como se nós fôssemos modelo para alguém!

 

Lembram-se? Acabámos de escorregar na nossa própria prova derradeira!

 

Oh! Lá se foi a oportunidade de atravessar o Portal!

 

O que fazer então? Não resta mais nenhuma possibilidade senão a de recomeçar do zero, com mais força do que nunca, mas também é importante ganhar consciência do que precisa ser trabalhado interiormente.

 

Surge então aquele momento de vazio, de confronto interno, de questionamento muitas vezes confuso, de vontade de desistir de tudo (e por vezes até da própria vida), surgem emoções complexas e destrutivas, etc. e não necessariamente por esta ordem, obviamente.

 

No fundo, tudo isto é apenas a batalha com o nosso próprio ego que não quer de forma nenhuma dar o braço a torcer, mesmo que lhe esteja a doer de uma forma muito profunda e quase impossível de sustentar.

 

O ego é matreiro e sabe muito bem o que fazer para não ser integrado – o que para ele é sinónimo de morte.

 

“Oh não! Eu não posso simplesmente desaparecer e morrer. Oh não! Logo eu! Eu, eu, eu!!!”

 

É por isso que é tão importante não tomar decisões precipitadas durante esses momentos sombrios, porque daí até saltar para áreas trevosas é um instante. O instante em que se agride, em que se maltrata, em que nos tornarmos monstros, o instante que se aniquila outro ser ou milhares de seres (e não me refiro apenas ao reino dos humanos, mas a todos os outros reinos).

 

Aqui entra a nossa quota parte de responsabilidade perante a Vida. O respeito, a humildade, a compaixão…

 

Deixar dissipar a confusão, acalmar o ego e deixar que a LUZ do Espírito invada a nossa alma, até que ela adquira a condição ideal para poder actuar e tomar conta do leme que sempre foi dela por direito próprio.

O ego usurpou o seu lugar, mas apenas porque nos distraímos, porque estamos muito tempo (vidas e vidas) buscando fora aquilo que sempre tivemos dentro de nós.

 

Quando tivermos trabalhado o suficiente para adquirir a nossa mestria pessoal, já nem teremos necessidade de provar nada a ninguém, muito menos de querer salvar alguém, apenas desejaremos do fundo do coração permanecer no trilho do meio ancorados no nosso único e verdadeiro Portal, o nosso Coração ou talvez mais indicado dizer o nosso Cardíaco – onde habita a Sempiterna Chama Trina da Sabedoria, do Poder e do Amor Divino.

 

Eva Wolf Heart

25/02/2022

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