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Eva Veigas ~ The Way of Silence

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01
Jan17

PERDOAR PARA QUÊ?

Eva Veigas

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"O PERDÃO É O CAMINHO PARA A PAZ INTERIOR

 

PARA QUE SERVE O PERDÃO?

O perdão liberta-nos do passado.

O perdão permite dissolver as crenças que nos aprisionam.

O perdão oferece a possibilidade da paz interior.

Quando perdoamos e somos perdoados, as nossas vidas transformam-se. As doces promessas do perdão são mantidas. E começamos uma nova relação connosco e com o mundo.

 

                   

 

O que o Perdão não é:

Perdão não é fechar os olhos para a falta de amabilidade.

Perdão não significa indiferença ou inércia perante a violação de direitos pessoais ou sociais.

Perdão não precisa de ser uma experiência religiosa ou sobrenatural.

Perdão não significa reconciliar-se com o autor da afronta.

Perdão não significa desistir de ter sentimentos.

 

 

O PERDÃO É ANTES UMA ATITUDE INTERNA QUE OPERA UMA MUDANÇA DE PERCEPÇÃO DO EU, DO OUTRO E DAS CIRCUNSTÃNCIAS.

 

EFEITOS DO PERDÃO

O perdão permite viver a vida sem mágoas. Livres do passado e sem recear o futuro.

Por isso alivia e previne o stress.

O perdão cura sintomas físicos e doenças.

O perdão ancora a aceitação, permite viver o momento presente e a fluir e a confiar no processo da vida.

O perdão liberta-nos do ressentimento e do sentimento de culpa e da raiva.

Abre-nos a porta para a expressão assertiva e adequada da nossa raiva.

Pessoas que culpam outras pelos seus problemas ou dificuldades apresentam índices mais altos de doenças cardiovasculares e cancro.

Mesmo quem já sofreu perdas devastadoras pode e deve aprender a perdoar; tal atitude irá possibilitar-lhes aliviar e curar os sentimentos de perda e acelerar o normal fluir do bem e da prosperidade nas suas vidas.

 

 

AUTO-PERDÃO O MAIOR DESAFIO:

Perdoar a si mesmo é o maior desafio a vivenciar, é o processo de aprender a amar-se e a aceitar-se a si mesmo.

Para além disso, só somos capazes de perdoar os outros quando aprendemos a perdoar a nós mesmos.

No auto-perdão, costuma haver uma grande resistência, pois ele requer uma mudança de atitude significativa, uma morte.

Que morte é essa? É um morrer para os velhos hábitos, morrer para a culpa, a vergonha e a auto-crítica, a auto comiseração, o ressentimento e o “coitadinho de mim”.

Quantas vezes condicionamos o auto-perdão a circunstâncias diferentes do momento?

O auto -perdão pressupõe uma tremenda honestidade para consigo mesmo na determinação de qual autocrítica, ou qual crença limitativa é preciso abandonar para nos podermos perdoar?

O auto-perdão é um grande renascimento.

Permite-te.

Mas, RESPONSABILIZA-TE….

Constrói o teu caminhar de forma a sempre perdoar e ser perdoado.

O perdão é o caminho para a paz interior e para a tua autenticidade.

Que a paz interior banhe as margens do teu caminho.

 

 

Todos nós erramos, ninguém duvida, embora cada um de nós tenha uma divisão marcante a respeito da classificação dos erros – graves ou não graves. A distinção entre erros ‘perdoáveis e não perdoáveis’ produz uma grande confusão quando pensamos na viabilidade do perdão. O que não nos deveria surpreender é que, de acordo com a cultura, educação e situações diferentes, esta classificação muda de indivíduo para indivíduo e muitas das vezes até sofre modificações num mesmo indivíduo, dependendo do seu estado.

 

Todas as pessoas fazem o melhor que podem. Muitos podem discordar desta afirmação. Mas, vou propor aos que discordam que pensem no seguinte: todos fazem o melhor que podem de acordo com a percepção do meio em que estão e do nível de compreensão do momento (isso é particularmente importante) – ou seja, todos nós, se soubéssemos ‘como’, faríamos de forma diferente em muitas ocasiões.

 

Partindo então das considerações acima efectuadas, vemos que o nosso mundo é realmente um mundo de enganos. E cada engano pode ser percebido e entendido de várias maneiras. O que é relevante é percebermos que quando nos sentimos feridos ou prejudicados de alguma forma, não nos lembramos de nada disto: nem das considerações acima efectuadas, nem do facto de que o que estamos a perceber é a nossa forma particular de perceber – outra pessoa poderia não se importar com algo que nos ofendeu ou magoou.

 

Seguindo esta análise, existe a necessidade de pararmos para olhar para o que estamos a sentir quando não abrimos mão das nossas mágoas e dores...

 

Não nos abrirmos para o perdão ‘porque quem nos feriu não o merece’ é um ditado do mundo, o qual nos sentimos justificados em aceitar, mesmo quando nos percebemos em intenso sofrimento causado pela nossa insistência em manter as memórias dolorosas.

 

Após este breve ‘raciocínio’, podemos perguntar-nos agora: como perdoar?

 

O perdão é uma memória selectiva: “perdoar é meramente lembrar apenas os pensamentos amorosos que deste no passado e aqueles que te foram dados. O resto tem que ser esquecido”. E mais: “O perdão é uma lembrança selectiva que não se baseia na tua própria selecção." (UCEM-T-17.III.1:1-3)

 

O perdão no mundo é sempre selectivo e a selecção é feita por cada um de nós, tanto das pessoas a serem perdoadas quanto dos factos. Nós precisamos de alguém de ‘fora’ do nosso sistema de pensamentos para fazer a selecção dos pensamentos amorosos por nós. Pensemos nos vários motivos para que isso aconteça.

 

Todos estão sujeitos aos erros – às vezes em comportamento, às vezes apenas em pensamento. Se todos cometemos erros e estamos a querer acertar, o perdão não pode ser selectivo: todos estão sob a mesma lei. Mas, nós aprendemos a seleccionar. Então, esse aprendizado está automatizado.

 

Falando sobre o termo memória, ele é bastante pertinente porque o motivo para a grande maioria das nossas dores está apenas na memória. Normalmente sentimo-nos doloridos por uma situação que está no passado, portanto, na memória.

 

Se estivermos realmente abertos ao exercício do perdão, vamos experimentar, pelo menos, alguns instantes de paz. Isto também é um aprendizado. Conforme vamos ‘coleccionando’ instantes de paz, pontos de memória vão-se juntando e formando um caminho de fácil acesso para as nossas mentes.

 

Assim, um dia, este processo acontecerá sem nenhum esforço: ainda nos lembraremos da situação ou da pessoa que nos feriu, mas já não teremos mais a carga emocional que tanto nos prejudicava.

 

Mas, para que continuemos o nosso caminho para a racionalidade do perdão, pensemos o seguinte: quem é que realmente beneficia com o perdão? – Aquele a quem eu perdoo ou eu, que ficarei livre dos pensamentos e sentimentos devastadores e pesarosos?

 

O perdão é um processo. Precisamos entender, pensar e chegar a um ‘veredicto’ sobre o porquê praticá-lo, para então começarmos a pô-lo em prática.

 

Trazendo o raciocínio para mais perto da nossa vivência, vamos lembrar: as outras pessoas não podem saber o que nós exactamente sentimos. Quando nós sentimos raiva, esta não ‘pesa’ no outro, não ‘vai’ para o outro. As outras pessoas não podem saber o que sentimos, ou qual a intensidade do que sentimos...

 

Todos temos o ‘direito’ de sentir raiva, ódio, tristeza, desapontamento – são emoções comuns a todos. O que estamos a pensar agora é que será sábio se sentirmos tudo isto apenas no momento da situação desencadeante, porque não estaremos a esconder as emoções de nós mesmos. Será muito sábio também, se nomearmos e aceitarmos tudo o que sentimos. Mas, atenção, são coisas bem diferentes: olhar para o que sentimos não é o estímulo do ressentir – é disto que estamos a falar. O ressentimento serve para nos prender ao passado, fazer com que nos tornemos uma vítima de alguém, ou de uma situação que, neste momento, não nos prejudica mais – porque esta situação neste momento não existe.

 

Este raciocínio aplica-se à culpa. Tudo o que falamos e pensamos a respeito do perdão em relação a alguém é absoluta e intrinsecamente válido e aplicável para o auto-perdão."

 

 

 

in, Um Curso Em Milagres

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